Bem vindos..

A todos aqueles que decidiram acompanhar os artigos postados neste blog, em primeiro lugar, quero agradecê-los. Também aproveito para desejar que a semelhança de um escultor, vocês possam utilizar-se das idéias e adorná-las com a vossa criatividade modelando-as e utilizando-as no palco da vossa realidade. Não há limites para se escrever e compor pensamentos. Espero que de alguma forma, a mensagem apresentada através dos artigos postados possa continuar ecoando nos vossos corações.

Domingo, 14 de Setembro de 2008

"Amigos de Jó, irmãos de José e os sátrapas modernos"


Jó foi um personagem bíblico digno de honra, merecedor de condecoração. O próprio Deus o enalteceu, intitulando-o íntegro. Um excelente testemunho, principalmente vindo da parte de Deus. Senhor das fazendas, homem de oração e sacrifícios, este era Jó. Sua riqueza era ampla: espiritual e material. Todas as vezes que leio o primeiro capítulo de Jó fico admirado diante da espiritualidade deste homem da terra de Uz. Contudo a história augusta de Jó se converte em drama. Subitamente ele perde tudo o que possuía: gado, ovelhas, serviçais, camelos, fazendas, casas, filhos, saúde e paz. Refiro-me a paz, porque neste momento da narrativa bíblica aparecem seus amigos para acusá-lo e desmerecê-lo. Começam a afligi-lo com perguntas e questionamentos de cunho acusativo. O enfermo Jó se torna réu na corte de seus amigos juízes implacáveis e impiedosos.

Elifaz, Bildade e Zofar eram na verdade pseudo-amigos de Jó, não se contentavam em vê-lo contuso, objetivavam deixá-lo confuso. Não respeitaram a sua dor, as suas perdas. Depois de perder tudo em um curto espaço de tempo, agora Jó precisava conviver com as críticas dos seus “supostos amigos”. Eles nada podiam fazer para melhorar a sua situação, mas não mediram esforços para piorar o seu estado. Criticaram o homem da terra de Uz simplesmente por criticar. Entendo que se não estivermos dispostos a ajudar uma pessoa a vencer as suas falhas, há pouco valor em apontá-las.

Neste momento da história sou assaltado por um sentimento de revolta. Perturbação por aqueles que esperam a nossa fraqueza para expor os nossos pecados, e quando não descobrem nada, forjam comentários, inventam inventários, desenham ações que nunca aconteceram, palavras que nunca foram ditas. Conversas frívolas, fofocas peçonhentas. O triste da história é que Elifaz, Bildade e Zofar falavam em nome de Deus. Eram artistas da retórica, conheciam a arte do discurso, mas não entendiam a arte da amizade. Eram gigantes na homilia, anões na empatia. Despedaçaram alguém que já estava destruído pelas perdas. Pisaram em alguém que já estava consideravelmente machucado pelas enfermidades que carregava no seu corpo. Os amigos de Jó na verdade eram traiçoeiros, conheciam a método do abraço do tamanduá, do presente de grego. Não se alegravam com a bem-aventurada vida de Jó, na verdade, seu sucesso era interpretado como um fracasso para eles. Ficavam inconformados com as notícias positivas que ouviam a respeito de Jó - “era o maior de todos os do Oriente” (Jo 1.3) O brilho de Jó cegava-lhes a visão, a alegria de Jó era a tristeza de Elifaz, Bildade e Zofar. Os amigos de Jó se assemelham aos irmãos de José.

José era o filho dócil e querido da casa de Jacó. Humilde e inocente, José via seus irmãos como irmãos, enquanto eles enxergavam-no como concorrente. José era ingênuo demais para pensar que seus irmãos queriam a sua queda, que fomentavam o seu desaparecimento. José teve um sonho e compartilhou-o com os seus irmãos, queria de alguma forma torná-los parte de suas aspirações. O sonho de José foi um pesadelo para seus irmãos. O sonho dos virtuosos é o pesadelo dos invejosos. Uma máfia se formou na casa de Jacó, o plano mirabolante que “uniu os desunidos” era acabar com José. A política da inveja é assim, os invejosos se aliam para acabar com alguém em comum, depois do plano realizado, eles começam a guerrear entre si – é cobra engolindo cobra. É assim que acontece com os fofoqueiros de plantão que transformaram a roda dos esclarecedores cristãos em roda dos escarnecedores pagãos. Depois de falar de alguém, quando saem do ambiente pérfido que criam com o teor das conversas, um começa a maldizer o outro. Antes eram parceiros da calúnia, agora, são opositores no jogo desleal de maldizer e vituperar alguém. Na verdade, os amigos de Jó e os irmãos de José se merecem, entre eles existe amizade e irmandade (até que um desacordo os separe). Os amigos de Jó e os irmãos de José revelam o lado traiçoeiro que existe nas relações humanas. O que difere um grupo sórdido do outro é que os amigos de Jó esperaram uma oportunidade para atacá-lo, já, por sua vez, os irmãos de José criaram uma oportunidade. Jó e José, dois nomes semelhantes. Dois personagens íntegros. Ambos conviveram com a traição, com a calúnia, com a acusação injusta por parte das pessoas que menos esperavam. A semelhança de Daniel, Jó e José encontraram alguns sátrapas. Sátrapas mascarados de irmãos, que aparentavam ser amigos, quando na verdade não eram.

Queria ter a oportunidade de discursar para os amigos de Jó e os irmãos de José, mas não somos contemporâneos. (graças a Deus por isso!!). Então me contento em endereçar algumas palavras aos sátrapas modernos. Eles ainda existem. Estão por toda a parte. São como pragas na agricultura, gafanhotos na lavoura, cupins na madeira, vermes na podridão. Andam sempre em bando. Ainda hoje se vestem de amigos e de irmãos. Já se adaptaram a viver uma vida dupla, mascarada, sem caráter. Não sabem o que é ter brio na face, respeito na fala e amor no coração. São dominados pela inveja. Eles nunca chegam a lugar nenhum. Estão sempre parados. Contentam-se na mediocridade de retro-alimentar as calúnias que divulgam. O momento mais prazeroso para os caluniadores aves de rapina é quando se encontram em uma roda, em volta de uma mesa, ou em um semicírculo em uma esquina qualquer da vida e gastam horas armando covas, criando laços, inventando estratégias e elaborando conversas frívolas, banais e triviais para desmoralizar alguém que de alguma forma lhes incomoda. Cuidado! Quem perde muito tempo falando dos outros tem pouco tempo para cuidar de si mesmo, quem perde o sono com o sonho do próximo, tem pouca disposição durante o dia. Escutem amigos de Jó e irmãos de José! Apagar a estrela dos outros não fará com que as vossas brilhem mais; e atirar barro em alguém é perder terreno. Sátrapas modernos, o melhor lugar para criticarem o próximo é na frente dos vossos espelhos. Vejam a vossa própria imagem funesta, antes de falarem qualquer palavra.

4 comentários:

Filipe Ennes disse...

Meu irmão, a paz, ao me aventurar em tomar conhecimento de seus escritos, confesso-lhe que muito fui impactado. Quero parabenizá-lo pelos "dons" concedido por Deus à sua pessoa, e pelo brilhante desnvolver dos mesmos. Peço-lhe licença para me afeiçoar de sua mensagem, objetiva, concisa.
Muito impactante, ao momento do desenvovlver da minha vida.
Minha oração é que haja continuidade desta expressão, graça sobre sua vida!

As portas de Paraty e região estão abertas, para quando quiseres conher, passear, descansar. Mas em brve, lhe farei o convite específico para nos abençoa com a exposição da palavra de Deus.

Soli Deo Gloria.

Ev. Israel Trota disse...

Filipe...
Considere-se bem aventurado por residir em Paraty. Estou sempre ministrando em Angra, e tenho certeza que chegará em breve a oportunidade de conhecer a sua cidade. Agradeço pelo convite a mim endereçado. Sinto-me honrado pelas condecorações destinadas aos artigos postados. Amo escrever e compartilhar ideias. Saber que existem pessoas que estão sendo edificadas através dos artigos postados, traz alegria para minha alma e motivação para o meu embrionário ministério.Sobre utilizar-se dos artigos, eles não são meus, são nossos...

Daniel disse...

Me orgulho muito de ter sido um contêporaneo do Pr.Israel no seminário. Hoje, vendo seus feito e obras, só tenho que agradecer a Deus por presentiar a Igreja brasileira com esta benção que é o Pr.Israel! Tenho certeza que por onde ele passa e tem oportunidade de discursar seus maravilhosos sermões, seus ouvintes de alguma maneira são abençoados grandemente!
Israel, que as ricas bençãos de Deus continuem sendo derramadas sobre sua vida, e que o Pai continue a te usar para abênçoar muitas outras vidas, assim como fui muito abençoado.
Parabéns!!!

Ev. Israel Trota disse...

Daniel,
posso dizer que o Todo-Poderoso que é mais poderoso que todos os poderosos desta terra me presenteou com a oportunidade de conviver nos anos de 2005-2007 com pessoas especiais nos tempos de seminário.
Obrigado pelas palavras de carinho, elas atuam como bálsamo diante de minhas reflexões..