Bem vindos..

A todos aqueles que decidiram acompanhar os artigos postados neste blog, em primeiro lugar, quero agradecê-los. Também aproveito para desejar que a semelhança de um escultor, vocês possam utilizar-se das idéias e adorná-las com a vossa criatividade modelando-as e utilizando-as no palco da vossa realidade. Não há limites para se escrever e compor pensamentos. Espero que de alguma forma, a mensagem apresentada através dos artigos postados possa continuar ecoando nos vossos corações.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mensagem ou Massagem?

Tenho presenciado que muitos segmentos ditos evangélicos protagonizam uma deturpação na mensagem bíblica. O “kerigma”, que é a proclamação genuína da Palavra de Deus, tem sido alvo de mutilações, combinações e acréscimos. Com a inserção do espírito mercantilista e dos ventos mercadológicos no cotidiano da igreja evangélica brasileira, a mensagem foi barateada. A graça tornou-se um produto e os cristãos meros consumidores. Certa vez li que o auditório de muitas igrejas brasileiras é composto “por pelo menos quatro tipos de pessoas: membros, freqüentadores, visitantes e usuários”. Percebemos que a demanda gera o suprimento; o que o povo quer ouvir, logo existe alguém pregando. A igreja evangélica tenta apresentar Jesus como um produto, com estratégias de ‘marketing’ voltadas para a satisfação total do consumidor. Sabemos que muitos evangélicos redefiniram o evangelho em termos antropocêntricos. Em vez de pregarem o Cristo crucificado e focalizarem a justiça de Deus, falam acerca das necessidades humanas.

Hoje em dia, nossos púlpitos estão cheios de tudo, menos de forte conteúdo bíblico. Há púlpitos altamente prejudiciais á fé. Há muita pregação esvaziada da supremacia de Deus, da centralidade de Cristo, do poder do Espírito e da relevante consistência bíblica que gera compromisso e que aponta para a missão.
O mercado religioso do sensacionalismo, do imediatismo e do consumo da fé tem ditado nossos conteúdos, redesenhado nossas motivações e metodologias e adulterado nossa pregação, afastando-a da Palavra de Deus. Há muitas mensagens convenientes, irrelevantes e cheias de afagos teológicos que não chamam a igreja ao arrependimento.

A sociedade contemporânea viciou-se em auto-estima e entretenimento, a igreja tem se tornado uma organização popular que recruta seus membros oferecendo-lhes um ambiente de calor e amizade. Mensagens hedonistas, antropocêntricas, narcisistas, que incentivam o individualismo e massageiam o ego humano tem resultado em muitos males no seio da igreja. Presenciamos a humanização de Deus e a divinização do homem. O indivíduo assume a função de senhor e Deus a de servo. Com tal pretensão, os crentes têm sido ensinados, inclusive, a determinar, reivindicar e exigir que Deus atenda e prontamente satisfaça seus desejos egoístas e consumistas; passa-se a dar ordens a Deus em nome da fé.

Tenho ouvido pregações que engodam o homem em suas vãs convicções, que não confronta mais o pecado, mas massageia o pecador. A inserção cultural do protestantismo tem sido um grande desafio na contemporaneidade, pois este se constitui uma religião da palavra em um mundo de imagens, então a resposta de muitas igrejas em uma tentativa de sobrevivência e adaptação, foi embelezar as palavras e criar imagens fantasiosas na mente humana no afã de atrair as massas para a igreja. Os contadores de fábulas estão levando vantagem sobre os profetas e mestres e são os principais responsáveis pela inanição bíblica e espiritual que tem se alastrado como uma epidemia pelas igrejas evangélicas no Brasil. Subnutrição bíblica é sinônimo de fraqueza crônica e suscetibilidade ao erro.
A igreja evangélica brasileira precisa se postar biblicamente. A solução provém da Bíblia. Tudo começa pelo viés de uma educação teológica correta. As Escrituras precisam exercer o papel de eixo centralizador e direcionador da igreja.

A única esperança é um retorno às Escrituras e a sã doutrina. Nós, evangélicos, temos de recuperar nossa determinação de sermos bíblicos, nossa recusa de agir de acordo com o mundo, nossa disposição para defender aquilo que cremos e nossa coragem para resistir os falsos ensinos. A menos que acordemos coletivamente para os perigos modernos que ameaçam a nossa fé, o adversário nos atacará de dentro, e não resistiremos.

O movimento que precisa ser executado é o de retorno à mensagem genuinamente bíblica que, por sinal, sempre foi uma marca do protestantismo. Precisamos de menos massagem e mais mensagem “kerigmática”. O Brasil não pode abrir mão deste legado, não pode sacrificar a mensagem bíblica, não pode cair no erro de negociar a integridade no altar da popularidade. Pregação bíblica é aquela que rebaixa o pecador e exalta o Deus Criador, que anda no terreno da realidade e não no solo da ilusão. A Igreja precisa lançar mão do instrumental da Palavra de Deus e, por sua vez, este instrumental escriturístico não pode ser usado de forma superficial ou artificial, precisa ser vivo, profundo e hermeneuticamente correto.

Deus não permite que se abra mão de uma só sílaba da Sua verdade. O que o povo precisa ouvir é um Evangelho bíblico, que fale sobre arrependimento, que leve o pecador a ter a consciência de que necessita desesperadamente de Cristo. A pregação genuinamente bíblica não alimenta o ego, mas o rebaixa! A origem da decepção de muitos “usuários da igreja” está na pregação fantasiosa, ilusória, distorcida, que alimenta a chama solitária do deus-ego. Mensagens bíblicas resultam em cristãos maduros e espiritualmente estruturados, não vulneráveis as artimanhas de satanás. Vale fazer uso de uma frase de Agostinho: “A fé vacilará se a autoridade das Escrituras Sagradas perder sua força sobre os homens. Precisamos render-nos à autoridade da Bíblia, pois ela não pode conduzir mal nem ser mal conduzida”.

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