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A todos aqueles que decidiram acompanhar os artigos postados neste blog, em primeiro lugar, quero agradecê-los. Também aproveito para desejar que a semelhança de um escultor, vocês possam utilizar-se das idéias e adorná-las com a vossa criatividade modelando-as e utilizando-as no palco da vossa realidade. Não há limites para se escrever e compor pensamentos. Espero que de alguma forma, a mensagem apresentada através dos artigos postados possa continuar ecoando nos vossos corações.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Propagadores da Proposta: uma análise do papel dos homens de Israel durante o desafio de Golias e a proposta de Saul.


Texto: “Porém, todos os homens de Israel, vendo aquele homem, fugiam de diante dele, e temiam grandemente, e diziam os homens de Israel: Vistes aquele homem que subiu? Pois subiu para afrontar a Israel. Há de ser, pois, que ao homem que o ferir o rei o enriquecerá com grandes riquezas, e lhe dará a sua filha, e fará isenta de impostos a casa de seu pai em Israel”. (I Sm 17.24,25).


A nação de Israel se preparava para mais uma batalha. Os filisteus estavam acampados entre Socó e Azeca, no campo de Damim. As tropas de Israel se abrigavam no vale do Carvalho enquanto esperavam o início do combate. O cenário era tempestuoso. Uma grande guerra estava prestes a ser inaugurada. Quando, de repente, o inusitado aconteceu. Um homem se desloca das tropas dos soldados filisteus para desafiar o exército de Israel. Este homem tem nome: Golias. Tem título: campeão dos filisteus. Tem história: segundo os targuns, provavelmente era o responsável pelas mortes de Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli. Propõe uma luta entre representantes das respectivas nações na tentativa de evitar o combate coletivo entre os dois exércitos. Uma carnificina seria evitada, ou pelo menos, temporariamente adiada. Dispõe-se a lutar representando os filisteus e exige um representante de Israel.


Golias era um guerreiro aparentemente completo. Possuía a experiência de antigas batalhas e a implacabilidade de um predador de guerra. Carregava uma armadura descomunal que o protegia, transmitia soberba enquanto falava e intimidava os homens de Israel com a fúria exibida pelos seus olhos. Irradiava pavor. Sua altura era descomunal. Os homens de Israel ficaram atemorizados ao enxergarem aquele gigante. O medo não escolheu vítima. Da mesma forma que se instalou no súdito, também alcançou o rei. Saul teme. Durante quarenta dias consecutivos Golias desafiava o exército de Israel. Ninguém se dispunha a lutar. Faltava galhardia e sobrava opróbrio.


Os homens de Israel acreditavam que Saul aceitaria o desafio, afinal de contas, era o candidato mais habilitado para enfrentar o Gigante. O cargo de Rei que ocupava apontava-o como legítimo representante de Israel. Ele tinha a experiência de antigas batalhas, já havia liderado uma guerra contra os filisteus. Era alto, “desde o ombro para cima, sobressaía a todo o povo” (I Sm 9.2). Se a armadura de Golias pesava 115 kilos no total, a armadura de Saul também era pesada. Davi mal conseguiu andar com o peso daquela armadura sobre seu corpo. Saul queria o bônus de ser rei, mas fugia do ônus do seu reinado. Ser Rei implicava em prazer e dever, regalias e responsabilidades, vantagens e vinculações, status e obrigações. Mas o Rei se calou, ou melhor, se omitiu da responsabilidade. Na tentativa de sair de cena e apagar o seu nome da lista de possíveis candidatos para enfrentar Golias fez uma proposta hipócrita e escusa. Resolve “abençoar” alguém. Reuniu os homens de Israel e apresentou uma oferta: o homem que desafiar o gigante obterá riquezas, casamento e isenção de impostos. O rei propõe entregar a sua filha ao candidato. Saul abre mão de tudo para se ver livre daquela situação, só não consegue se livrar da hipocrisia. Aquela oferta tinha um propósito: esconder a sua fragilidade, maquiar o seu medo. Sua estratégia logrou êxito. As pessoas esqueceram de falar da omissão do Rei e só comentavam a respeito da sua proposta. Quando Davi visitou o local da batalha no afã de levar comida para seus irmãos, ouviu duas coisas: a afronta de Golias e a agitação dos homens de Israel comentando a respeito da proposta de Saul.


A oferta de Saul encheu o coração e transbordou nos lábios dos homens de Israel. Casar com a filha do Rei resultava em status. O acesso ao palácio estaria garantido. Qualquer soldado de Israel presenciaria uma revolução extremamente positiva na sua vida caso aceitasse a proposta e vencesse a batalha. Além do mais, toda a sua família seria abençoada com a isenção de impostos. Sem falar nas riquezas. Este era o sonho magno de qualquer plebeu (ou hebreu). Saul se aproveitou da inocência dos humildes para manipular as multidões (algo tão comum no mundo atual). Mesmo encurralado, conseguiu sair pela tangente. Agiu com esperteza. Mostrou a sua falta de companheirismo. Que egoísmo! Um ato típico de um líder déspota que faz de tudo para permanecer empoleirado no poder.


Os homens de Israel, sem perceberem a maquiavélica estratégia do Rei, tornaram-se simples propagadores da proposta. Contudo, se a oferta era tão boa, porque ninguém se candidatou? Não pretendo falar de Davi, que foi à exceção, quero analisar a postura daqueles homens frente à batalha e a oferta de Saul. Estes homens sonhavam com o prêmio, mas fugiam do desafio. Queriam conquistar a vitória sem passar pelo caminho do combate. Não estavam dispostos a pagar o preço. Faziam parte da geração dos sonhadores sem atitudes. Eram especialistas na arte de visualizar o prêmio, porém, jamais saíram do lugar. A Bíblia não cita os seus nomes. Sabe o que eles foram? Propagadores da proposta. Somente isto e nada mais. Sonharam, mas não alcançaram. Idealizaram o prêmio, mas não o obtiveram. Tiveram que se contentar em ver a filha do Rei de longe. Estes homens jamais souberam como era o palácio. Viverem em seus casebres pelo resto de suas vidas. Se você não tem atitude, jamais alcançará altitude. É a após a batalha que se reconhece o valor da luta e o preço da vitória. Assim como para se chegar a Canaã é preciso atravessar o rio Jordão, para conquistar prêmios é necessário enfrentar desafios. Se você não sabe o que é a dor de uma provação, jamais conhecerá o paladar das vitórias. É necessário ousadia. Sonhos desassociados de coragem são meras ilusões, entorpecem a alma. Plutarco dizia que “coragem” consiste não em arriscar sem medo, mas em estar decidido quanto a uma causa justa. Vale a pena pagar o preço? Faça esta pergunta antes do desafio. Caso a resposta seja sim. Domine o seu medo ou ele te dominará. Vença-o ou o medo te vencerá.


Aqueles homens ficaram eternizados na narrativa bíblica como figurantes. A história deles findou juntamente com o capítulo 17 de I Samuel. Outro motivo que os levou a não aceitar o desafio, é que na verdade, nenhum deles acreditou na possibilidade da vitória. Golias representava o fim do sonho. Era o guerreiro invencível. O muro intransponível. O enigma impossível de ser solucionado. Aqueles homens permaneceram paralisados por que não acreditavam que poderiam vencer o gigante em um combate. Se você não acredita na possibilidade da vitória não adianta correr atrás dos seus sonhos. Martin Luter King disse “eu tenho um sonho” e lutou com todas as forças para vê-lo realizado. Acreditar na vitória é a fórmula para o êxito, a receita para sair dos campos do anonimato e ocupar as tribunas do sucesso. Como dizia Margaret E. Sangster: “a fé pode colocar um candeeiro na noite mais escura”. Aqueles homens tinham sonhos, mas não fé. Sonhos sem fé são como veículos sem combustível. Na prática, jamais aqueles homens saíram do lugar. No entanto, surgiu um rapaz, que ao ouvir a respeito da proposta de Saul, enxergou em Golias não o fim de um sonho, mas o prelúdio de uma realização. Aparentemente, aquele jovem jamais poderia enfrentar o gigante Golias em um combate. Era jovem, praticamente um menino (Foi assim que o chamaram). Era pequeno. Ruivo. Tinha uma boa aparência. Não possuía os traços típicos de um guerreiro. Jamais intimidaria o adversário. Este rapaz não tinha nem armadura. Em primeira instância, estava desguarnecido. O gigante o desprezou. Foi alvo de zombarias até o momento que cortou a cabeça do seu adversário e a ergueu nos seus braços. A partir de então, aquele jovem, nunca mais foi alvo de escárnios, na verdade estrelou cantigas com o seu nome. Ele se tornou nada mais do que o Grande Rei de Israel; respeitado no seu tempo, reverenciado pelo seu povo e venerado pela história. Ele enfrentou o Gigante porque acreditou na possibilidade da vitória. Era um homem de sonhos e um homem de fé, o restante dos homens, foram simplesmente propagadores de propostas.

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